Manipulação nas disfunções músculo-esqueléticas

 

 

INTRODUÇÃO

No final do século XX, a fisioterapia, especialmente a terapia manual, cresceu sem precedentes com uma proliferação de artigos em revistas, manuais e CD-Roms, cursos e "sites" na Internet. (Howard 2006)

Segundo Calonego e Rebelatto (2002): As técnicas de terapia manual são alternativa de tratamento das disfunções músculo-esqueléticas. Trata-se de técnicas derivadas das escolas de quiropraxia e osteopatia, incluindo os métodos Mackenzie, Mulligan, Kalterborn e Maitland, entre outros.

A manipulação articular, pode ser definida como um a técnica de terapia manual, envolvendo o movimento de uma superfície articular em relação à outra, realizada sobre uma estrutura articular (Gould, 1993).

É um tratamento ou exame, que é feito pelas mãos, o que faz com que ocorra um alongamento da cápsula articular, por meio de umamanobrabruscadaarticulação.Oobjetivo é restaurar o máximo de movimento livre de dor em um sistema músculo-esquelético em equilíbrio postural. A manipulação articular atinge esse objetivo, devido ao aumento da extensibilidade articular, correção de falhas de posicionamento, nutrição, controle da dor e relaxamento muscular, compressão meniscóide e benefícios psicológicos (Edmond, 2000).

A palavra manipulação pode ser usada em dois sentidos diferentes. No primeiro sentido, refere-se a qualquer tipo de movimento passivo, utilizado no exame ou tratamento. No segundo sentido, quando restrito, refere-se a um movimento rápido de pequena amplitude, no qual o paciente não consegue impedir. Para manipular o paciente consciente, existem duas formas: a primeira, conhecida como mobilização - é feita pela suave repetição de um movimento acompanhado por oscilações passivas e rítmicas dentro ou no próprio limite de amplitude. A segunda consiste em forçar o movimento, a partir do limite de amplitude, por meio de um impulso repentino. Essa mobilização é encontrada em Grau 1, que é feita em pequena amplitude, próxima à porção inicial do percurso; em Grau 2, que é uma grande amplitude dentro do percurso que esteja livre de rigidez ou espasmo muscular, em Grau 3 ou grande amplitude que se move dentro de rigidez ou espasmo muscular e em Grau 4, com movimento de pequena amplitude executado, forçadamente, dentro da rigidez ou espasmo muscular, onde o ritmo pode variar de um movimento staccato, para uma articulação rígida. Quando um distúrbio articular é bastante dolorido, o movimento oscilatório deve ser executado suave e uniforme, onde ocorre mudança oscilatória de compressão para descompressão (Maitland, 1986).

Além de alongar e liberar com segurança determinadas estruturas, a mobilização restaura a mecânica articular normal, na qual se utiliza uma velocidade baixa o suficiente para que o paciente possa interromper o movimento. (Kisner, 1992).

As técnicas de mobilização e manipulação são ferramentas úteis no alivio da dor e na restauração da mobilidade da coluna vertebral (Gregory, 1994).

O conceito de tratamento das disfunções músculo-esqueléticas foi introduzido por Geoff Maitland, pela abordagem da terapia manual, baseando-se em suas observações clínicas dos pacientes e no efeito que a técnica de tratamento tem sobre eles.

O objetivo deste artigo é delinear pesquisas científicas aos fisioterapeutas, mostrando que a terapia manual é capaz de diminuir a dor e melhorar a função do paciente.

Segundo (Torstensem et ai, 1998) as desordens músculo-esqueléticas têm sido causa comum no trabalho principalmente dores lombares e cervicais.

A terapia manipulativa é uma técnica terapêutica aplicada por fisioterapeutas nas desordens músculo-esqueléticas. Essa técnica pode ser aplicada como uma manobra oscilatória em diferentes locais da ADM ou pode ser realizada como um Trust de alta velocidade no final da ADM articular (Maitland,1986).

Sabe-se que a mobilização passiva é indicada para dores, ela pode ser feita por um profissional experiente, cujo estudo demonstra que ela é eficaz na redução das dores (Chahade e Biasole, 1999).

Wright (2000) revisou a literatura sobre a terapia de manipulação e seus efeitos neurofisiológicos em pacientes com dor cervical e epicondilite lateral, onde encontrou evidências de que a analgesia induzida pela terapia manual ocorre após a manipulação.

Outro estudo publicado tem mostrado efeitos positivos da manipulação em ombros dolorosos. E o resultado desse estudo sugere que a manipulação é o tratamento preferido dos fisioterapeutas nas queixas de dores no ombro (Winters et ai, 1997).

Em estudo recente, Jull (2001) comprou um programa específico de exercícios err pacientes com dores de cabeça cervicogências e demonstrou a eficácia clínica de terapia manual para as disfunções da coluna cervical.

Observa-se que a analgesia induzida pela manipulação é uma resposta neurofisiológica específica ao estímulo de tratamento produzida pelos sistemas decendentes e inibidores da dor (Wright 2000).

Marinzeck e Souvlis (2006) observaram em sua pesquisa que a técnica de terapia manual produz um aumento na atividade do Sistema Nervoso Simpático, sendo maior no lado tratado, e tanto uma manobra de baixa ou de alta velocidade obtiveram o mesmo nível de atividade simpática.

A terapia manual acelera a recuperação de dor lombar aguda e os pacientes terão 34% de melhora a mais (Shekelle et ai, 1992).

Também (Waddel 1996) afirma, em seus estudos, que existem fortes evidências que o uso da manipulação na dor lombar, provê uma rápida melhora da dor e maior satisfação do paciente.

Winters et ai (1997) concluiu, em sua pesquisa, que para tratar ombros dolorosos, a manipulação é seu tratamento preferido. Apesar dos pacientes com queixas de dores no ombro terem sido tratados porfisioterapia ou manipulação, a duração das queixas diminuiu significativamente após a manipulação.

Tanto as fisioterapias convencionais, quanto à terapia manual apresentam uma boa evolução no alívio de dor em curto espaço de tempo (Calonego e Rebelato 2002).

CONCLUSÃO

Com este artigo, podemos verificar que a terapia manual trata das afecções músculo-esqueléticas, atuando sobre as restrições de mobilidade de tecido conjuntivo, respeitando os limites fisiológicos do movimento.

Tanto com a finalidade terapêutica, quanto preventiva, aplica-se, manualmente, sobre os tecidos musculares, ósseos, conjuntivos e nervosos.

A terapia manual em fisioterapia está organizada em nível mundial, com a existência da IFOMT (Federação Internacional da Terapia Manipulativa Ortopédica), organização não governamental internacional, representante em matéria da terapia manipulativa de fisioterapia e está reconhecida como subgrupo da WCPT (Confederação Mundial de Terapia Física).

Conclui-se, então, que a terapia manual é um complemento da fisioterapia, e que fisioterapeutas estão procurando especializar-se mais nesta área, pois a procura deste tipo de tratamento esta cada dia maior, ajudando os pacientes sintam alívio de suas dores com mais rapidez.

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