CAPÍTULO IV: A ação dos antioxidantes como freio ao envelhecimento

O estresse oxidativo:

Quando não há um equilíbrio entre a produção dos radicais livres e a sua eliminação cria-se uma condição de "extresse oxidativo" em que predomina a formação de lesões nas estruturas celulares, ou seja, os radicais livres atacam os constituintes da própria célula como lipídios das membranas celulares, proteínas, enzimas e o próprio código genético (DNA). 1

O estresse oxidativo está envolvido em uma série de condições patológicas, tais como, desordens cardíacas (KHAPER e SINGAL, 1997; SINGAL  et al., 1998), hipertensão arterial (BELLÓ-KLEIN  et al, 2001), catarata, doença de Parkinson, diabete, carcinogênese, envelhecimento e danos provocados pela isquemia e reperfusão (HALLIWELL, 1987).2 


O que são antioxidantes?

Antioxidante é a substância que retarda o aparecimento de alteração oxidativa. São um conjunto heterogêneo de substâncias formadas por vitaminas, minerais, pigmentos naturais e outros compostos vegetais e, ainda, enzimas, que bloqueiam o efeito danoso dos radicais livres. O termo antioxidante significa "que impede a oxidação de outras substâncias químicas".3

 

Vitaminas e minerais antioxidantes:

Estudos recentes tem chamado a atenção para certos nutrientes e componentes alimentares com atividade antioxidante, ou seja, com capacidade de transformar e/ou diminuir a ação de oxidação dos radicais livres, impedindo seus efeitos danosos ao organismo. A saber, o beta-caroteno, que no organismo se converte em vitamina A, as vitaminas C, E e do complexo B, como o ácido fólico e minerais como selênio, zinco, manganês e cobre. 4

Cada nutriente é único em termos de estrutura e função antioxidante tendo, portanto, funções diferentes:

- A vitamina E, por ser solúvel em gorduras, protege as membranas das células que são em sua maioria compostas de ácidos gordurosos. - A vitamina C é solúvel em águae procura por radicais livres que estão em meio aquoso (liquido), como o que está dentro das células.

- O betacaroteno também é uma vitamina solúvel em água e é excelente para procurar radicais livres em uma concentração de oxigênio baixa. 3

 

Vejamos abaixo a descrição dos minerais e em quais alimentos podem ser  encontrados: 5

 

Selenio

É um mineral que, juntamente com a vitamina E e a enzima peroxidase, é capaz de evitar a formação de radicais livres. A função do selenio é atuar sobre as células e as membranas celulares evitando este mesmo processo. Desta forma, reduz-se o risco de desenvolver doenças coronárias e inflamatórias bem como tumores na pele, fígado, cólon e mama. A sua eficácia é aumentada mediante a presença das vitamina A, C e E.

Está presente em... Gérmen de trigo, alho e arroz integral, marisco, peixe, fígado de vaca, lacticínios, verduras, cebola, cogumelos e espargos.

 

Zinco

Potencia a ação antioxidante das vitaminas e enzimas (como o superóxido desmutase). É de extrema importância, por exemplo, para o organismo masculino devido à sua capacidade de favorecer a formação de ADN, sendo um mineral essencial para manutenção da fertilidade e da saúde genital masculina.

Está presente em... Amêndoas, nozes, avelãs, trigo integral, feijão, ervilhas, peixe, gema de ovo, salsa, fígado,ostras, marisco, sardinhas, algas, legumes, cogumelos, cebola, alho, feijão verde.

 

Manganês

Tal como o zinco, participa no complexo enzimático superóxido desmutase, aumentando a capacidade antioxidante interna no organismo. Melhora a eficácia das vitaminas C e do complexo B. Tem efeitos anti-inflamatórios, benéficos em casos de tendinite, entorse, dores menstruais e artrite reumatóide.

Está presente em... Nozes, cereais integrais, sementes de girassol e de sésamo, farelo e gérmen de trigo, gema de ovo, leguminosas, hortaliça de folha verde e chá.

 

Cobre

Também atua enquanto co-fator da enzima superóxido desmutase, tendo um papel antioxidante por proteger as células dos efeitos tóxicos dos radicais livres. Participa na formação de enzimas, proteínas e neurotransmissores cerebrais, facilitando a fixação de cálcio e de fósforo.

Está presente em... Frango, peru, peixe, marisco, ostras, moluscos, vísceras (fígado, cérebro, rins...), cereais integrais, verduras e hortaliças (batata, cogumelos...), sementes, nozes e outro frutos secos, legumes e água potável.

 

Vitamina A + carotenóides

Os carotenóides são compostos de importante função antioxidante que funcionam como precursores da vitamina A. 

Destacam-se os carotenos alfa, beta (provitamina A) e gama, que protegem os tecidos celulares e desempenham uma função essencial na saúde dos olhos e membranas mucosas. 

Também fortalecem o sistema imunitário e ajudam a prevenir doenças cardiovasculares e determinados tipos de cancro. 

«Juntamente com as vitaminas C e E, o betacaroteno pode capturar os radicais livres», refere Pedro Lôbo do Vale. O licopeno é outro carotenóide que pode ajudar a prevenir vários tipos de cancro, proteger a memória, proteger contra a degeneração macular (da retina), e ajudar as pessoas menos jovens a manterem-se activas. Esta substância é mais facilmente absorvida quando submetida ao calor, daí que a sua presença seja mais significativa, por exemplo, no tomate cozinhado do que no tomate ao natural. Já a luteína é um carotenóide que absorve os raios solares ultravioleta, evitando que estes provoquem danos na retina ocular, o que ajuda a prevenir problemas como a degeneração macular e as cataratas.

Os carotenos estão essencialmente presentes em... cenouras, salsa, espinafres, mangas, brócolos e folhas verde escuras em geral. Já o licopeno dá a cor avermelhada a alimentos como o tomate, melancia, goiaba, etc. A luteína pode ser ingerida através de espinafres, pimentos vermelhos, gema de ovo, abacate, aipo, brócolos, salsa, repolho, aipo, abóbora e mostarda. 

 

Vitamina C

É o antioxidante hidrossolúvel mais abundante no sangue. Gera a inibição da formação de radicais superóxidos ou de nitrosaminas durante a digestão. Intervém na reparação das células dos tecidos (principalmente da pele, ao nível da formação de colagénio), das gengivas, veias, ossos e dentes, ajudando também a aliviar o stress. 

Está presente em... frutas como o limão, laranja, tangerina, toranja, morangos, quivi, goiaba, papaia, manga, framboesa e em vegetais como a couve roxa, pimentos, espinafres, grelos, nabiças e repolho.


Vitamina E

É um antioxidante lipossolúvel que impede a oxidação dos tecidos gordos polinsaturados e evita danos nas membranas celulares. Favorece a nutrição e regeneração dos tecidos. Grande parte das funções antioxidantes da vitamina E melhoram significativamente com a acção conjunta do selénio. Ainda assim, segundo um estudo da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, é de referir que o consumo excessivo de vitamina E pode provocar transtornos metabólicos e perturbações ao nível do coração.

Está presente em... óleos vegetais, como óleo de gérmen de trigo, azeite, girassol, soja, desde que não refinados (obtidos a frio), cereais integrais, abacate, amêndoas, amendoins, margarina, conservas em azeite ou óleo (atum, cavala...), pistachos e espargos.

 

Doenças relacionadas com a geração de radicais livres: 6

- Artrite

- Aterosclerose

- Diabetes

- Catarata

- Esclerose múltipla

- Inflamações crônicas

- Disfunção cerebral

- Cardiopatias

- Enfizema

- Envelhecimento

- Câncer

- Doenças do sistema imune  

 

NECESSIDADE DE CONSULTAR UM NUTRICIONISTA ANTES DE COMEÇAR A FAZER QUALQUER DIETA.

Lembre-se de que o excesso também leva às disfunções:

- excesso de vitamina E: prejudica a  coagulação do sangue aumentando a probabilidade de hemorragia;

- excesso de vitamina C: Pode levar à diarréia e outros distúrbios gastrintestinais. Superdosagens podem levar ao câncer, arteriosclerose e pedras nos rins;

-  excesso do mineral selenio:pode causar queda de cabelos, rachaduras na pele, fadigas, distúrbios gastrintestinais e anormalidades no sistema nervoso. 3

 

Assista no youtube:   www.youtube.com/watch?v=yah26qrHWTI   (copie o link e cole em seu navegador)

 

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 Fontes:

1- Pele: estrutura, propriedades e envelhecimento. Maria Inês Nogueira de Camargo Harris. 3ª ed. 2003

2- O estresse oxidativo está envolvido em uma série de condições patológicas, tais como, desordens cardíacas (KHAPER e SINGAL, 1997; SINGAL  et al., 1998), hipertensão arterial (BELLÓ-KLEIN  et al, 2001), catarata, doença de Parkinson, diabete, carcinogênese, envelhecimento e danos provocados pela isquemia e reperfusão (HALLIWELL, 1987). (Fonte: Eduardo Rosseto – 2006 – trabalho de conclusão de curso: “Radicais livres e estresse oxidativo relacionados ao efeito do exercício físico na terapia de reposição hormonal”).  

3- Dossiê Antioxidantes - Revista Food Ingredients Brasil

4- "Avaliação da ingestão de minerais antioxidantes em idosos" - Revista Brasileira de geriatria e Gerontologia. v.14 n.1 Rio de Janeiro - 2011.

5-  Ana Catarina Alberto e Pedro Lôbo do Vale (médico de clínica geral e docente no mestrado de Nutrição, na Faculdade de Medicina de Lisboa) - Revista Prevenir

6- "Radicais livres e os principais antioxidantes da dieta". Artigo de Revisão. Maria de Lourdes Pires Bianchi.

 



 

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