com vocês, a Chufa!

 

 

 

Precisamos ser justos. Apesar de se tratar de uma novidade por aqui, a chufa tem história à beça para contar. Em artigo recente, cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, relatam que o alimento fazia parte da dieta de hominídeos que viveram na África entre 2,4 e 1,4 milhão de anos atrás. Mais tarde, apareceu nas tumbas junto com antigos faraós e, durante a Idade Média, entrou na mala dos árabes e ganhou a Europa. E foi na Espanha, mais especificamente na região de Valêncía, que a chufa fincou raízes de vez, dando origem a uma bebida que até hoje é símbolo da região, a horchata.

 

 

 

 

Contudo, é a chufa em si, essas bolinhas que estão na foto à direita, que está chegando ao Brasil pela marca b.eat - um pacote de 200 gramas custa, em média, 29 reais. Vale dizer que ela já é produzida em algumas regiões do Nordeste, só que em pequeníssima escala e para consumo local - nessas áreas, o tubérculo atende pelo nome de junça. Calma aí: tubérculo? Isso mesmo. Embora pareça uma oleaginosa (como a amêndoa ou a castanha de caju), a chufa é, na verdade, parente da batata-inglesa e do inhame.

 

E é por isso que ela foi comparada com essa classe de alimentos em um estudo realizado na Universidade Federal do Maranhão . (UFMA). "O que se destaca na junça é seu considerável percentual de fibras 11 , revela o químico Victor Elias Mouchrek Filho, orientador do trabalho. "E essa característica não é própria dos tubérculos 11 , completa. Na análise, a diferença se mostrou gritante: enquanto a batata-inglesa apresentou 0,4 de fibras, a chufa bateu nos 7,5.


A nutricionista expert em gastronomia Andréa Esquível, de São Paulo, ressalta que essas fibras exercem uma ação prebiótica. "Elas fazem muito mais do que melhorar o trânsito intestinal", afirma. Segundo a especialista, tais componentes servem de alimento para as bactérias boas que vivem em nosso intestino. "Ao serem usadas com esse propósito, elas incitam a produção de ácidos graxos de cadeia curta", ensina. Esses elementos têm mil e uma utilidades para o organismo: auxiliam na manutenção das taxas de açúcar no sangue, participam do controle do colesterol e até favorecem a liberação de óxido nítrico, gás que relaxa os vasos e faz a pressão arterial baixar.
 

As fibras exercem outra função louvável. "Elas dão bastante saciedade", conta a nutricionista clínica Isabel Iereissatí, do Rio de Janeiro. "Então, para quem está em processo de emagrecimento, a chufa é um ótimo lanche", indica. De sabor adocicado, parecido com o do coco, o tubérculo pode ser consumido com frutas, dentro de um mix de castanhas ou sozinho. Para dar uma chacoalhada no menu, dá pra investir na farinha do alimento, também já disponível no mercado brasileiro. Ela combina com vitaminas, sucos, shakes, frutas, tortas, bolos ...


Pois voltemos à questão do peso. Se a intenção é deixar de montar pratos pesados, há mais um motivo para dar uma chance à chufa: sua fartura de gordura monoínsáturada. É que esse nutriente eleva pra valer a sensação de saciedade. Nesse sentido, batatas e afins também ficam pra trás. "Essa gordura costuma ser encontrada em peixes, azeitonas, nozes, abacate, entre outros. Mas não em tubérculos", explica o farmacêutico Marcos Leão, que está desenvolvendo uma pesquisa com a chufa na universidade Federal do Ceará. E olha que você não precisa se preocupar com o coração. De acordo .com Andréa, o ômega-9, a gordura monoinsaturada da chufa, é célebre por aumentar.os níveis de HDL, o colesterol do bem. "Isso ajuda a evitar a formação de placas nas artérias", argumenta.

 

Outro nutriente de grande valia para o sistema cardiovascular e que a chufa tem em abundância é o potássio. Seu trunfo? Agir de maneira oposta ao sódio. Ou seja, ele contribui para a dilatação dos vasos sanguíneos. Assim, a pressão não decola e cai o risco de sofrer um infarto ou derrame. "A chufa ainda é rica em magnésio que, em parceria com o potássio, ajuda o cálcio a se fixar nos ossos", conta Andréa. Essa informação é preciosa para quem toma suplementos em busca de um esqueleto forte. Afinal, se a dupla de minerais não entrar na jogada, o cálcio artificial das cápsulas se acumula nas artérias e consolida placas capazes de obstruir os vasos sanguíneos.

 

Por causa do conteúdo nutricional, não surpreende que a chegada da chufa por aqui empolgue os profissionais de saúde. "Precisamos que esse alimento saia dos laboratórios e seja divulgado", aprova Mouchrek Filho, da UFMA. Hoje, o tubérculo ainda é importado da Espanha. Mas a intenção é cultivá-lo em solo nacional, onde existem ótimas condições de plantio. "Inclusive, já estamos fazendo testes com dois produtores no país", adianta o empresário José Kappaz, fundador da b.eat. Enquanto a chufa aguarda pela cidadania brasileira, não custa ser bom anfitrião e convidá-Ia à mesa. A satisfação será toda sua.

 

 Fonte: Revista Saúde é Vital - nº406 - agosto/16 - porThaís Manarini

Obs: não colocamos o artigo aqui na íntegra.