Será o fim do IMC?

 

 

 

Não é preciso ser um gênio da matemática para descobrir o próprio índice de massa corporal (IMC), uma das medidas mais utilizadas para definir se uma pessoa está excessivamente magra, saudável ou muito gorda. Basta dividir o peso, em quilos, pelo valor da altura, em metros, ao quadrado ... e pronto! O resultado obtido bota você em uma daquelas categorias. Só que estudos recentes colocam o cálculo na berlinda, duvidando de sua eficácia para cravar como anda o físico de alguém.

 

 

 

Em um trabalho publicado no jornal científico Annals of Internal Medicine, pesquisadores das universidades de Alberta e de Manitoba, no Canadá, analisaram tanto o IMC como a porcentagem de gordura corporal de aproximadamente 50 mil voluntários. Aí a conta embolou. Isso porque os indivíduos com IMC elevado - e que pela classificação eram obesos - não apresentaram maior risco de mortalidade. Para fazer essa estimativa, mostrou-se mais confiável avaliar a quantidade de dobras pelo corpo. "Os achados apontam que devemos parar de usar o IMC como indicador de obesidade", sentencia o médico Raj Padwal, professor da Universidade de AI-berta e um dos responsáveis pelo achado.


Já uma pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, recorreu a um levantamento nacional para tentar traçar a relação' entre o índice de massa corporal e alguns preditivos de saúde, como pressão arterial e níveis de glicose, colesterol e triglicérides. Surgiu, então, mais um motivo para ter o pé atrás em relação à equação.' Afinal, 47,4 dos americanos julgados com sobrepeso em virtude do IMC eram saudáveis. "Isso mostra que os hábitos das pessoas influenciam muito mais na saúde do que o resultado dessa conta", interpreta o psicólogo jeffrey Hunger, coautor do estudo.


Segundo especialistas, há mais circunstâncias capazes de justificar a limitada serventia do IMC. "Ele não distingue quanto temos de massa magra e massa gorda nem avalia a distribuição da gordura pelo corpo", exemplifica o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. "E, hoje em dia, uma de nossas grandes preocupações é saber se essa gordura é visceral ou periférica", completa a endocrinologista Cintia Cercato, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). E por que esse dado, ignorado pelo IMC, é tão essencial? "A gordura visceral é a mais nociva. Ela se acumula nas camadas profundas do abdômen, em volta dos órgãos, e contribui para o desenvolvimento de resistência à insulina e problemas cardiovasculares", ensina a nutricionista Mirele Mialich, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).

 

 

Fonte:  Revista Saúde é Vital nº 405 - por Fernando Barros

Obs: a reportagem não se encontra aqui na íntegra.