|

Gostaríamos de compartilhar com você o que nós aprendemos
durante anos falando com profissionais especializados neste país e em
outros países (como os E.U.A., Cuba, Peru, Chile, etc.) e lendo a
literatura científica. Nós esperamos que estas informações possam ajudá-lo
a tomar decisões corretas sobre sua saúde.
A disfunção craniomandibular ou disfunção da ATM (Articulação
Temporomandibular) é o funcionamento anormal das estruturas orofaciais que
incluem a articulação temporomandibular, ligamentos, os músculos da
mastigação, ossos maxilar mandíbula, dentes e estruturas de suporte
dentário; quando o paciente apresenta sintomas como dor de cabeça, dor de
ouvido e/ou zumbidos, dor ou cansaço dos músculos da mastigação, ruídos
articulares (estalos ou crepitação), dificuldade para abrir a boca; em
grande parte dos casos estes pacientes apresentam disfunção da ATM que
estão relacionados multifatorialmente com hábitos mastigatórios
parafuncionais que produzem lesões microtraumáticas na ATM.
Este tipo de anormalidade é encontrada no sexo feminino com maior
freqüência em uma proporção de 9 mulheres para 1 homem, aproximadamente,
tenta-se explicar esta alta proporção no sexo feminino porque a mulher
está mais sujeita ao estresse emocional, mudanças hormonais durante o
ciclo menstrual, alterações anatômicas que produziriam uma má relação do
côndilo com o disco articular e também ao fato de que as mulheres procuram
com maior freqüência ajuda médica se comparados aos homens; em relação a
idade pode encontrar-se em qualquer faixa etária, mas é comum dos 30 a 40
anos.
Com respeito ao hábito parafuncional são movimentos mandibulares sem
nenhuma necessidade funcional sendo os mais comuns o apertamento dentário
e o bruxismo (ranger), morder objetos estranhos, roer unhas, mastigar
chicletes, posturas da cabeça (para frente), o de segurar telefone com a
mesma, e ainda apresentar um fator relacionado que é o estresse, depressão
e ansiedade eventos penosos, são estes alguns dos fatores que perpetuam ou
agravam a Disfunção da ATM.
Sobre o Cirurgião Dentista especializado cabe a grande responsabilidade
para o correto controle das dores oro-faciais, para isso, ele precisa ser
competente para poder diferenciar as dores que vêm das regiões orais que
podem ser resolvidas com procedimentos odontológicos e aquelas que vêm de
outro lugar, nestes casos estas doenças necessitam de tratamento a nível
médico.
O estudo da disfunção da ATM, apresenta na atualidade um grande interesse
dos profissionais da área da saúde, porque apresentam-se cada vez em maior
número os pacientes com sintomatologia dolorosa referida a esta
articulação.
Estes pacientes apresentam um quadro clínico, que muitas vezes é obscuro,
devido a complexidade anatomo-funcional da cabeça, o comprometimento
emocional do paciente, comprometem no estudo desta doença o médico
clínico, ORL, neurologista, cirurgião Buco-Maxilo-Facial, dentista
clínico, médico fisiatra, fonoaudiólogo, psiquiatra, e psicólogo. Na
maioria dos casos, o paciente, geralmente, procura o otorrinolaringolista
por dor de ouvido ou neurologista por causa da dor de cabeça, sendo então
submetido a avaliação médica e exames como o eletroencefalograma ou exames
mais sofisticados como Tomografia computadorizada ou ressonância magnética
sem encontrar-se nestes casos o diagnóstico preciso já que em grande parte
dos casos estes pacientes apresentam disfunção da ATM.
Respeito a etiologia ou causa da doença ele envolvem causas multifatoriais,
por tanto, o enfoque do tratamento dos pacientes compromete a atuação de
numerosos especialistas para que tenha sucesso. Inclusive a necessidade de
abordagem psicológico, pelo constante estresse e tensão emocional, já que
a dor muscular causa tensão e depressão, criando-se assim um ciclo vicioso
de dor-depressão, que é característico nos pacientes crônicos.
A oclusão dentária, apresenta papel importante como fator predisponente
que alteram o sistema mastigatório suficientemente para incrementar o
risco para desenvolver disfunção de ATM os hábitos para-funcionais,
má-oclusão dentária induziriam a produzir micro-traumas na ATM
desenvolvendo-se assim lesões degenerativas no côndilo e no disco
articular.
O fator psicológico é também importante no sentido de que a dor facial
produz um a hiperatividade muscular, que produz tensão, esta produz um
estresse causando depressão, e a depressão maior atividade muscular,
criando-se assim um ciclo vicioso de dor- tensão- dor
A dor de cabeça (cefaléia) é, talvez, a mais freqüente de todas as queixas
de dor local intermitente, a grande maioria destas dores são manifestações
heterotópicas, sendo assim a dor de cabeça primária bastante rara.
COMO CHAMAMOS ESTA DOENÇA?
Atualmente, os pesquisadores e a comunidade científica denominam este
problema como Disfunção de ATM ou Desordens Temporomandibulares (DTM ),
dependendo de quem está discutindo esta doença; pode ser chamada por um
grande número de nomes (DTM, DISFUNÇÃO DE ATM, SÍNDROME DOR MIOFASCIAL
SINDROME DE COSTEN). De fato, a confusão que gira em torno destes nomes,
simplesmente, reflete a dificuldade de tratamento nestas articulações o
que é um fator que contribui para padronizar o atendimento.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
* Mestre e Doutor pela Universidade de São Paulo, Cirurgião
Buco-maxilo-facial, Assistente do Hospital da Santa Casa de São Paulo;
Member of American Association of Oral & Maxillofacial Surgeons; Member of
American Academy of Head, Neck and Facial Pain; Fellow University of
Pennsylvania School of Dental Medicine (USA).
** Ortodontista, ortodontia preventiva e corretiva; Ex- Residente do
Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo;
Fellow Department of Orthodontics, School of Dental Medicine, University
of Pennsylvania (USA).
Fonte: www.wmulher.com.br
|