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VACINA CONTRA A GRIPE: VALE A PICADA? (Priscila Boccia- texto retirado da Revista Saúde / março / 2005)
De graça, até injeção na testa, diz a piada. Não é bem assim. Nem
todo mundo encara a picada numa boa. Nem mesmo os que não pagam por ela —
por exemplo, idosos, o grande alvo da campanha nacional contra a gripe, e
funcionários de empresas que bancam os custos do programa de vacinação.
Até essa gente pensa duas vezes antes de ir aos postos de saúde para
receber a dose a que tem direito. Quem precisa gastar os 40 reais cobrados
por ela, então, nem se fala.
Há quem se queixe da eficiência da injeção antigripal por confundir as
coisas. Por exemplo: dor de garganta não é nem nunca foi sinal de estar
gripado. Trata-se de uma complicação típica do mero resfriado, que tem
outros vírus por trás - e que, por sinal, nem sempre provoca febre,
diferentemente da gripe. "Há 340 vírus que atacam o sistema respiratório e
os rinovírus do resfriado são alguns dos mais freqüentes", explica a
virulogista Terezinha de Paiva, do Laboratório de Vírus Respiratórios do
Instituto Adolfo Lute, em São Paulo. Todos os anos o Brasil importa 17 milhões de doses para idosos e portadores de doenças crônicas. Até que o país consiga produzir a vacina, o que deverá acontecer a partir de 2007, as crianças, os profissionais da saúde e os adultos jovens continuarão fora da campanha. Podem se vacinar, mas têm que desembolsar por isso.
E ATENÇÃO!
Gripe mata sim! A cada 30 anos o influenza muda por completo. Aí o sistema imunológico não o reconhece e sucumbe ao ataque inimigo. Em 1918, a gripe espanhola foi causada pelo influenza H1N1, que em princípio atingia as aves, mas que passou a disseminar-se entre os seres humanos. |