FELIZ COM AS RUGAS QUE SE TEM

( texto retirado da Revista Viva Saúde - nº 50. Por Renata Afonso )

 

 

"É fato. Aquele que aceita com bom humor as mudanças do tempo e cuida da aparência, sente-se mais confiante, conquista a admiração das pessoas ao redor, melhora sua qualidade de Vida e vive mais."

natureza é poderosa e mesmo que os especialistas descubram a melhor técnica de cirurgia plástica do mundo, ela ainda será insuficiente para barrar todas as modificações que acompanham o processo de envelhecimento natural. Portanto, no lugar de brigar com as rugas, os cabelos brancos, as manchas nas mãos e no rosto, a flacidez na pele, entre outras mudanças, o melhor mesmo é aceitá-las, de verdade e sem neuroses.
"Quem não faz isso abandona os projetos e ideais e corre o risco de entrar em depressão. A auto-estima é fundamental para quem já passou dos 60 anos", acredita Mara Pusch, coordenadora da psicologia do projeto Afrodite da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que tem o objetivo de resgatar a sensualidade e a feminilidade das mulheres mais maduras.
Mas aceitar a velhice não significa deixar de se cuidar. Os mais velhos também devem praticar exercícios, ter boa alimentação, conviver com os amigos e, por que não, cuidar muito bem da aparência. Cabelos sempre cortados, pintados, quando não se gosta dos fios brancos, barba feita, banho tomado, unhas em ordem e maquiagem, no caso das mulheres. "Quando a mulher entra na menopausa, ela passa a não se achar tão bonita, vai se desmotivando, o que não pode acontecer", alerta Mara Pusch.

A vaidade sob medida vale a pena. Segundo especialistas, quem vive bem com o espelho, seja homem ou mulher, é saudável, desenvolve menos doenças, depende menos de remédios, vive mais e melhor.
Além disso, para a psicóloga Mariuza Pregnolato, de São Paulo, indivíduos que conseguem lidar melhor com a passagem do tempo acabam atraindo a admiração das pessoas - e isso faz um bem danado para o ego. "Um paciente idoso me confidenciou, certa vez, que quando não se cuida se acha um lixo. Mas quando está bonito e atraente, sente-se confiante e essa atitude acaba despertando o interesse de quem está a sua volta".
Já o geriatra Alexandre Leopold Busse, do Hospital das Clínicas, de São Paulo, diz que a auto-estima e a vaidade estão diretamente ligadas às relações sociais. Quem só fica em casa não tem motivação para se cuidar. Por isso, os passeios são aconselháveis. "A família pode convidar o idoso para sair. Visitar alguém, ir ao cabeleireiro, ao supermercado. Vale até uma consulta médica. É preciso arrumar uma desculpa para se arrumar", aconselha.