Embora menos freqüente entre as mulheres, a queda excessiva de cabelos pode comprometer a auto-estima e a vaidade daquelas que sofrem com o problema. O diagnóstico preciso e o tratamento correto ajudam a reverter esse quadro.

 

Nos homens, a calvície tem até um certo charme - que o diga Marcello Antony, lindo e careca na novela Paraíso Tropical, exibida na Rede Globo. Para as mulheres, no entanto, a perda de cabelo é motivo de preocupação, e até desespero, já que as madeixas exercem um papel importante na feminilidade e no poder de sedução. E, segundo dados da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo, cerca de 18 milhões de brasileiras sofrem com fios ralos e alterações no couro cabeludo.
Apesar da
alopecia (nome científico do distúrbio) não causar a queda total dos cabelos, se a disfunção não receber a merecida atenção, tão logo seja notada, compromete bastante a aparência. Nas mulheres, ela marca presença de maneira mais difusa - é comum localizar-se no topo da cabeça, perto da linha que divide o penteado - e os fios ficam finos e ralos. Dependendo do ângulo, é possível enxergar o couro cabeludo, um motivo e tanto para abalar a auto-estima. O primeiro passo para lidar com o problema é aprender a identificá-lo. Os especialistas avisam que uma queda diária de aproximadamente 100 fios é normal - são aqueles que se soltam quando a gente penteia o cabelo ou lava a cabeça. No outono e no inverno, também é comum perder um pouquinho mais de cabelo, por causa das mudanças climáticas.

Períodos de estresse e ansiedade e dietas muito severas ou restritivas podem fazer despencar os fios. Por isso, é importante consultar um dermatologista e mudar os hábitos alimentares. Entretanto, nenhum destes exemplos, são característicos da alopecia.


Sinal de alerta


Os principais fatores que provocam a doença nas mulheres são de ordem hormonal, afirma Arthur Tykocinski, dermatologista especializado em restauração capilar, de São Paulo. "Além dos hormônios sexuais, outros hormônios, como os da tireóide ou das supra-renais influenciam na queda de cabelo", completa.
A fase pós-parto, o período de amamentação e a chegada do climatério também podem detonar a alopecia, assim como problemas nos órgãos reprodutores, como cistos no ovário.
Na hora de procurar ajuda, esqueça os produtos industrializados que prometem reverter o processo, já que eles não atuam no sistema hormonal. O ideal é buscar auxílio médico. Os tratamentos podem ser tópicos, sistêmicos ou cirúrgicos. Segundo o dermatologista Antonio Figueira, do BarraLife Medical Center, no Rio de Janeiro, são indicadas loções à base de substâncias que estimulam a micro circulação local e tônicos contra a oleosidade da raiz. Há ainda os medicamentos que ajudam a regular os hormônios, mas só devem ser prescritos por especialistas porque podem provocar sérios efeitos colaterais.

 

Dieta anti-queda


Com um cardápio balanceado, rico em minerais essenciais, proteínas e vitaminas, é possível melhorar a saúde dos fios. A explicação é simples: na falta de minerais como ferro, zinco, cálcio e manganês, o organismo retira o que precisa da pele, das unhas e do cabelo, enfraquecendo-os. "O ideal é comer verduras, legumes e carnes, principalmente peixes. O salmão, rico em ferro e ômega 3, é o mais indicado", diz a dermatologista Leticia Nanei, do Rio de Janeiro. Há casos mais sérios que exigem, além dos cuidados com a alimentação, que a paciente recorra a cápsulas à base de cálcio, cistina, nitrato de tiamina levedura e queratina (
*sempre com orientação médica).

 

* Obs. do Espaço Terapêutico

 

O perigo da química


Os alisamentos, coqueluche nos salões de beleza, também colocar os fios em risco. Toda vez que algum caso grave de ferimentos, provocados por agressões químicas no couro cabeludo, chega à mídia, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) órgão ligado ao Ministério da Saúde, se manifesta de maneira categórica: o formol, ativo usado comumente nos alisamentos, não é uma substância segura para a saúde. Segundo o órgão, dependendo da concentração, ele pode causar desde dermatites na pele até intoxicação e cegueira.
Entre os ativos liberados pela Anvisa, para esse tipo de procedimento, estão o tioglicolato de amónia, hidróxido de sódio, potássio de cálcio hidróxido de lítio e o carbonato de guanidina. Mesmo assim, o excesso de químicas, como tinturas e relaxamentos, pode causar dermatite de contato, processo alérgico que deixa como herança a queda dos fios. É importante consultar um dermatologista para saber quais produtos usar.



(Por Heloisa Noronha - texto retirado da Revista Viva Saúde, nº 46)