|
CÂNCER DE OVÁRIO: MAIS FÁCIL DE SER
DETECTADO
(Obs.: A reportagem não se encontra aqui,
na íntegra)

Acaba de
ser divulgado um consenso sobre os sintomas que podem indicar a presença
desse tumor. Até então, este câncer era considerado o tipo ginecológico
mais difícil de ser diagnosticado - o que ampliava os riscos de morte da
paciente.
A
PRATICA, O QUE MUDOU NO DIAGNÓSTICO DESSE TUMOR?
O câncer de ovário é a quarta maior causa de morte por câncer em mulheres
na América do Norte. Trata-se de uma doença curável quando detectada no
início, porém fatal se percebida somente nas fases mais avançadas. O
grande problema é que a doença é difícil de ser detectada. Só para se ter
uma idéia dessa dificuldade, ao ser diagnosticado, cerca de 75% desses
tumores malignos já estão em estágio avançado. Felizmente, essa realidade
pode começar a mudar. A Sociedade Americana de Câncer, a Fundação de
Câncer Ginecológico e a Sociedade Americana de Ginecologia Oncológica,
todas entidades dos Estados Unidos, chegaram a um acordo sobre os quatro
principais sinais de alerta para a presença do câncer ovariano. Ou seja,
formularam um consenso de sintomas que são comuns à imensa maioria das
mulheres que apresentam a doença. Esse é um passo significativo porque, ao
longo da história, ginecologistas e oncologistas sempre divergiram em
relação a quais seriam esses indícios.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS QUE INDICAM O CÂNCER DE OVÁRIO?
De acordo com o consenso, as mulheres devem ficar atenta, especialmente, a
quatro reações: inchaço abdominal, dor abdominal ou pélvica, dificuldade
para se alimentar ou sensação de satisfação rápida (também conhecida como
"empachamento", impressão desagradável de estômago cheio demais) e
urgência para urinar ou aumento da freqüência urinária (ou seja, número de
vezes que a pessoa faz xixi).
QUAL O
BENEFÍCIO DESSE CONSENSO?
O acordo possibilitará um diagnóstico mais precoce. Antes, não havia uma
diretriz comum que possibilitasse ao menos uma triagem das mulheres que,
pelo histórico clínico, deveriam ser encaminhadas para uma avaliação mais
detalhada. Hoje, pacientes que tiverem dois ou mais dos quatro sintomas
descritos serão consideradas candidatas ao câncer de ovário. Terão de
receber maior atenção em seus exames ginecológicos de rotina e serem
encaminhadas mais rapidamente para exames complementares -
ultra-sonografias, tomografias e testes de sangue específicos. Com isso,
haverá uma economia de tempo e de dinheiro: os testes mais dispendiosos
passariam a ser realizados apenas nesse grupo de risco.
A
ESCOLHA DO MÉDICO É IMPORTANTE PARA O DIAGNÓSTICO E O TRATAMENTO CORRETOS?
A relação médico-paciente é fundamental para discutir um possível
diagnóstico precoce e para debater com tranqüilidade as dúvidas e queixas
que em geral surgem. E, se confirmada a existência do câncer, é preciso
ter total confiança no profissional para aderir ao tratamento proposto,
pois há diversas modalidades terapêuticas possíveis para esse caso, como
radioterapia, quimioterapia e cirurgia, e a escolha vai depender das
características do tumor (tipo e tamanho), da idade e das condições
clínicas da paciente, dentre outros fatores...
ATÉ QUE PONTO O DIAGNÓSTICO PRECOCE FAVORECE A CURA?
Nesta fase, o mal é curável na maioria dos casos. A paciente passa por uma
intervenção cirúrgica para a retirada do tumor - um procedimento que
poderá ou não ser complementado pela quimioterapia. Já quando há
comprometimento de boa parte do ovário e de outras estruturas da pelve e
do abdômen, o tratamento é mais intenso, mais caro e bastante prolongado
e, o que é mais grave, com poucas garantias de êxito. Mesmo com todos os
cuidados, há grande chance de que o tumor retorne, o que pode levar a
paciente à morte.
O TESTE GINECOLÓGICO NORMAL ACUSA O CÂNCER DE OVÁRIO?
O Papanicolau não detecta esse tipo de tumor, mas sim o câncer de colo do
útero. As mulheres com suspeita de tumor no ovário precisam fazer outros
exames, como ecografias pélvicas transabdominal e transvaginal.
(Por Rosana Faria de Freitas - texto retirado da Revista Viva
Saúde, nº 51)

|