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"PARA AS VÍTIMAS DESSA DOENÇA, MAIS DIFÍCIL DO QUE ENFRENTAR O DESCONFORTO
FÍSICO, É TER DE LIDAR COM A FALTA DE INFORMAÇÃO E O PRECONCEITO".
NÃO SE DEVE TEMER A PSORÍASE,
É PRECISO CONHECÊ-LA E TRATÁ-LA.
Doença inflamatória da pele, a
psoríase assusta por dois motivos: não tem cura e a pele de seus
portadores apresenta um aspecto antiestético, com lesões avermelhadas que
descamam e que podem provocar coceira, dor e incômodo na região afetada.
Em alguns casos, o problema acomete as articulações, desencadeando uma
artrite psoriática.
Ninguém pega psoríase no ar, na piscina, nas relações sexuais ou mesmo no
contato com a pele ou objetos do doente. Apesar de não ser uma enfermidade
contagiosa, porém, a aparência de seus portadores em situações de crise
costuma colocá-los em situações bem constrangedoras. O escritor
norte-americano e portador de psoríase John Updike, em um desabafo,
descreveu qual a sensação da maioria das vítimas. "A apresentação dessa
doença é a seguinte: manchas, placas e avalanches de excesso de pele
produzidas pela derme, avançando e lentamente migrando através do corpo
como musgo em uma lápide. Minha tortura está na profundidade da pele, não
há dor, nem mesmo coceira. Ironicamente, somos saudáveis nos outros
aspectos. Temos desejo, mas somos repugnantes para amar. Enxergamos bem,
embora odiemos olhar para nós mesmos. O nome dessa doença, espiritualmente
falando, é humilhação".
A psoríase é um tanto comum: afeta de 1% a 3% da população mundial, ou
seja, quase 200 milhões de pessoas. Só no Brasil, são cerca de cinco
milhões. Em torno de 30% dos doentes têm familiares com o problema. Mas
ainda há muita falta de informação. Muitos acreditam, erroneamente, que a
doença é contagiosa ou é sinal de falta de higiene pessoal. Esse
preconceito acaba excluindo os portadores de psoríase do convívio social.
No dia-a-dia, esses
indivíduos passam frequentemente por situações que os deixam embaraçados.
Principalmente nesta época do ano em que o lazer está associado a praias e
aos clubes, onde as pessoas expõem seus corpos. Todo esse aspecto, somado
ao impacto físico e psicológico provocados pela doença, reduz
drasticamente a qualidade de vida desses indivíduos. Tanto é assim que
dados disponíveis na literatura médica mostram que o estrago físico e
mental relacionado à psoríase é semelhante ao sofrido por pacientes com
câncer, artrite, doenças cardíacas e depressão.
Certamente sempre há o fator genético envolvido nos casos da doença. Mas
há variáveis ambientais que podem agravar, e muito, o quadro da doença,
como a ingestão regular de bebidas alcoólicas, o tabagismo ou ainda a
manipulação das lesões que costumam coçar. Alguns medicamentos que agem no
tratamento dos sintomas devem ser evitados por quem sofre com a psoríase,
como os corticóides injetáveis ou os tomados por via oral. Apesar de
proporcionarem uma melhora imediata, quando seu uso é interrompido, pioram
significativamente o mal (nós costumamos chamar isso de "efeito rebote").
Nada disso, porém, é tão prejudicial aos portadores de psoríase do que o
estresse psicológico provocado pelo desconhecimento e preconceito da
população em geral. Por isso, o melhor remédio para amenizar a doença é
divulgar cada vez mais informações sobre ela. O apoio da família, dos
amigos e de toda sociedade é fundamental aos que sofrem com o problema.
( Inaya Lavor, Dermatologista, membro da Sociedade
Brasileira de Dermatologia - texto retirado da Revista Viva Saúde, nº
38)

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