Impotência Sexual

"Homens com problemas sexuais têm dificuldade em
procurar ajuda"
A constatação é do médico Sidney Glina, um dos
maiores especialistas brasileiros em disfunção erétil e que presidiu, no
período de 2000-2002, a Sociedade Mundial de Pesquisa sobre Impotência e
Sexualidade. Mas, o que é disfunção erétil? Trata-se de uma doença
conhecida e temida por muitos homens: a impotência. Ninguém morre de
impotência, mas homens com problemas de ereção não têm boa qualidade de
vida. "Esses homens cuidam-se menos e tomam menos medicamentos para suas
doenças do que os pacientes que tratam de seus problemas sexuais", diz
ele.
Sidney Glina é um dos autores do livro "Disfunção Sexual Masculina",
trabalho que dividiu com mais três médicos - Pedro Puech-Leão, Eduardo
Pagani e José Mário Siqueira Marcondes Reis. Trata-se de uma obra
científica, lançada pelo Instituto H.Ellis (http://www.instituto-h-ellis.com.br/)
e programada, inicialmente, para ser um manual sobre prótese do pênis mas
que se transformou num tratado sobre a disfunção sexual masculina.
Especialista e pesquisador na área da impotência e nos seus tratamentos,
Glina falou ao Fantástico On Line sobre temas que muitos homens, ainda
hoje, evitam. Para começar, o médico tratou da reposição hormonal,
problema que é comum nos homens que atingem a chamada andropausa, que
seria a menopausa masculina.
Houve o anúncio, recentemente, de que a Anvisa tinha liberado a
comercialização no País de um gel de testosterona. O senhor conhece algum
produto novo a base de testosterona?
S.G: Recentemente foi lançado um gel à base de testosterona do Laboratório
Enila e chama-se Androgel. É aprovado pela Anvisa, com indicação para a
reposição da testosterona, que só é usada em cerca de 20% dos homens com
mais de 50 anos, que são os que apresentam níveis baixos da testosterona.
Raramente é indicado no tratamento da disfunção erétil.
Quais são os riscos e as recomendações da
reposição hormonal por injeção?
S.G.: A reposição hormonal masculina, seja por via oral, gel, patch
(adesivo), ou injeção, só está indicada para aqueles homens que apresentam
sinais e sintomas da falta de testosterona, cujos principais sintomas são:
perda da libido, perda da memória, diminuição da massa muscular,
osteoporose entre outros. A falta de testosterona deve ser comprovada por
exames de dosagem do hormônio. Os riscos da reposição hormonal inadequada
são: piora ou crescimento de um câncer prostático localizado, piora da
apnéia do sono, aumento da produção da fração ruim do colesterol e aumento
da viscosidade sanguínea, pelo aumento na produção de glóbulos vermelhos.
Ginseng, catuaba, ioimbina, amendoim...
Esse tipo de tratamento tem efeito comprovado?
S.G.: Não existem estudos clínicos que comprovem a eficácia destas
receitas caseiras.
Quando é recomendável o tratamento
psicoterápico? Ele deve ser associado a outro tipo de tratamento ou nem
sempre é necessário?
S.G.: O tratamento psicoterápico para a disfunção erétil está indicado
para a grande maioria dos quadros de origem emocional. Alguns casos mais
simples, ou no caso da dificuldade de ereção se manifestar apenas com uma
determinada parceira ou em determinada situação, podem ser resolvidos com
o uso temporal de algum medicamento, como, por exemplo, o Viagra ou Uprima.
A associação da psicoterapia com medicamentos é bastante utilizada
atualmente e alguns autores acham que esta tática diminui o tempo de
tratamento.
E quando é o caso de tratamento cirúrgico?
S.G.: O tratamento cirúrgico da disfunção erétil hoje restringe-se
basicamente ao implante de prótese. Este tratamento está indicado apenas
nos casos de impotência orgânica, como, por exemplo, na neuropatia
diabética ou após a prostatectomia radical.
Por que medicamentos como o Viagra ou o
Uprima fazem tanto sucesso?
S.G.: 50% dos homens têm alguma queixa em relação à sua função erétil.
Isto faz com que medicamentos que facilitem a ereção tenham um grande
apelo.
Esses medicamentos estariam sendo
consumidos por um público masculino muito jovem. Os médicos têm uma
explicação para isso?
S.G: Parece-me que grande parte dos usuários destes medicamentos é de
homens que se consideram normais e que querem melhorar a performance. Um
amigo meu, teoricamente normal, diz que toma Viagra para ter uma segunda
ereção mais rapidamente. Uma outra parte considerável é de jovens
inseguros quanto sua capacidade sexual e que usam os medicamentos como um
apoio.
Há forma natural de manter elevados os
níveis sanguíneos de testosterona?
S.G.: A grande maioria dos homens mantém níveis de testosterona adequados
para as necessidades de sua faixa etária. O ideal é procurar manter a
saúde por inteiro. Isto irá repercutir na manutenção da saúde hormonal.
Qual é a maior dificuldade hoje para o
tratamento da disfunção sexual no Brasil?
S.G.: A grande dificuldade que se tem hoje em dia é porque o enorme número
de homens com problemas sexuais não procura ajuda. Na realidade, estes
homens até procuram ajuda médica por outras razões (diabete, hipertensão,
etc), mas não se queixam da dificuldade de ereção por vergonha. E pior, os
médicos também não perguntam, porque os próprios médicos não acham que
problemas sexuais sejam importantes. Afinal, ninguém morre por causa de
uma disfunção erétil. Entretanto a disfunção erétil afeta terrivelmente a
qualidade de vida dos pacientes e suas parceiras.
Por outro lado há dados que indicam que homens com dificuldade de ereção
cuidam-se menos e tomam menos medicamentos para suas doenças do que os
pacientes que tratam seus problemas sexuais. Assim seria muito importante
que a classe médica passasse a encarar os problemas sexuais da maneira que
devem ser encarados.
Retirado de Pesquisas pela
Internet
Reportagem: Carlos Peixoto
22/11/2002